ufa. cessou a tormenta.
no dia que passou, realizei a audição na EMM. Toquei cello pros tiozinho do conservatório.
Era uma quinta feira chuvosa, saí do casulo do lar com o instrumento em mãos, devidamente embalado por galante saco de lixo, na compania do guarda-chuva e seu portador, o irmão. Após enfrentamos banhos horizontais no cruzamento da avenida encharcada, subi as escadarias do esverdeado edifício; encontro-me com companheiro guri violoncelista, que me orienta a entrada ao recinto. Assomo à porta de saleta repleta de colegas de instrumento, envergonho-me ligeiramente dos trajes ensopados, ajeito meus pertences no detrás da porta. Desembanano o curvilíneo e seu respectivo arco, disponho a bolacha ao chão; quando volto do andar inferior, ocorre roda de apresentações, não memorizo nome algum, informação nenhuma: nervosismo. Segue-se longo período de espera, uns conversam, uns afinam, uns tocam -me assustam com a primazia-, chegam uns, saem outros para serem examinados, e o número de músicos na saleta varia de oito a treze. Eu fico,digamos, calado majoritariamente; desejo estar na compania de um livro, comprazo-me em apreciar e temer os talentos alheios. Depois de muitos chamados, soa o nome: "kyôshi beraldo", da voz de um examinador, loiro meio calvo de óculos e pólo branca. Pego o cello e sigo-o, chego à uma sala próxima, um cubo de paredes brancas. Junto ao examinador supracitado, está sentado o tão falado professor fukuda. Sento na cadeira solitária, ajeito-me, percebo que nenhum dos dois está muito interessado em minha presença; digo então, posso tocar? Ao sinal afirmativo, desembesto minhas colcheias ligadas de dezesseis em dezesseis em firulas pré-determinadas no sol maior do exercício oito dos 113 estudos de Dotazauer Grant.
A acústica do cúbiculo resvestiu o som do meu humilde instrumento de veludo impressionante. Todas as dinâmicas, sustenidos problemáticos e mudanças de posição saíram como eu treinara. Sem erros; ofereci o máximo de meu estudo, a ansiedade e o nervosismo de outrora se escondia, assustada em um canto qualquer de minha mente. Findo o um minuto e poucos segundos do exercício, o examinador da direita disse obrigado, chame a... Juliana por favor, enquanto o da esquerda demonstrou ligeiríssimo sorriso.
Saí da sala, um peso dos diabos saía-me das costas, acabara a tensão de três meses. Chamei a instrumentista da CcB, arrumei minhas tranqueiras, despedi-me, ganhei a rua. Trazia na mente a idéia de ter tido êxito no prova, aliás, ainda o penso, e sou capaz de apostar uma cocada com quem duvidar, os resultados saem dia treze.
A prova já tinha ocorrido, o sol brilhava. Mas tinha de me apressar, estava atrasado pro Guri. No dia que se seguiu, ou seja, hoje, acordei atestando dor dilacerante nos braços, decorrentes da sobreforça empregada em ter carregado o trambolhão nos bíceps (saco de lixo não tem alça para as costas). Esvaiu todo o exclusivismo a que me permitira nos dias anteriores, podia agora ser atropelado, molhado, adoentado, afinal, o exame já havia passado! Senti um pouco de saudade, voltei aos afazeres domésticos meio contrariado. E cá estou eu, escrevendo longo texto, sem a saborosa preocupação de refinar a mudança de corda, de tocar um ré preciso.
De volta à rotina bitchô.
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5 comentários:
tomara.
espera dá uma angústia...
que bom que o nervosismo nao atrapalho kyo, boa sorte, terça vamos la e eu vejo o meu tambem
(ferias acabaram rapido demais, ate segunda)
vocês achariam muito ruim se eu escrevesse sobre 'banana frita'?
é que surgiu me uma vontade.
passei de quinto suplente.
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