poizé, a frequência de posts caiu assustadoramente; talvez porque acabou o carnaval e este que lhes escreve tornou-se um businessman; ou porque ele voltou a um convívio social normal, e ao invés de escrever para seus poucos, usa a linguagem falada.
acho que vai acabar ficando em um pôst semanal.
sexta-feira, 2 de março de 2007
sábado, 24 de fevereiro de 2007
Leões risonhos
caiu-me este livro em mãos na época de efervescência Nietzscheniana do ano passado. Havia textos sobre e desse prussiano por todos os cantos, mas este chumaço encadernado só constava na estante de inveterado leitor colega nosso. Emprestou-me em meados do meio do ano, li, cansei, reanimei, li no barraco, em casa, na escola; parei na terceira parte, libertei-me em outras leituras; neste presente ano, retomei, terminei a derradeira azeitona... ontem. E cá escrevo, num flerte de crítica, mais para me convencer que tal leitura de algo me serviu, do que para me posicionar sobre "um autor que é impossível de ler e permanecer indiferente".
assim falou Zaratustra - um livro para todos e para ninguém
Ao que me pareceu, é um livro sem pé nem cabeça. É um bolo com recheio interessante, inovador, mas de cobertura absurda, quase impenetrável. Para ilustrar o que digo, dois trechos:
"Homens superiores, o pior que tendes é não haver aprendido a dançar como é preciso dançar; a dançar por cima de vossas cabeças! Que importa não terdes sido felizes?"
"Eu ria, ria, ao passo que me tremiam os pés e também o coração."Mas este-disse comigo-é o país dos vasos cloridos" Com a face e os membros pintados de mil maneiras, assim me assombrastes, homens atuais."
Mas no meio de infindáveis alegorias, é possível extrair alguma essência do discurso de zaratustra. Sim, é puro Nietzsche, mas para o leitor que não está a par das filosofias, arrisco aqui resumir o pensamento expresso em Assim falou.
Zaratustra busca o além-homem, o homem superior. Despreza os valores dos 'homens-pequenos', ou seja, paz, mansidão, maniqueísmo, prudência, bondade, mutualismo, cristianismo. Diz que esses valores provém somente da fraqueza e da feminilidade.
Propõe a alegria profunda, e igualmente, a dor profunda; a dança, as pernas fortes, as canções, a solidão. Elogia a guerra, os combates periódicos.
Fala muito dos criadores, dos criadores de novos valores. É uma pena que eu não tenha compreendido muito bem este ponto, então calo-me.
este homem, o zaratustra, é um sábio que deixou sua cidade natal aos trinta anos e isolou-se nas montanhas. Depois de dez anos adquirindo sabedoria na companhia de sua águia e sua cobra, desce ao mundo para ensinar aos homens. Após enfrentar a populaça, viaja pelo mundo deixando discípulos e amigos. Volta à sua caverna. Zaratustra ouve o grito angustioso do homem superior, anda pelo bosque e chama a sua caverna uns estranhos personagens. Chega o grande Meio-dia.
A semelhança entre o sábio e... jesus, é para reforçar a crítica à sociedade cristã, que julga serem absolutos e imutáveis seus valores.
Bom, e quanto a minha opinião em relação a Nietzsche, faço como a esmagadora (e repressora) maioria, e digo, Não concordo de todo.
E então, por que li até o final? Ora, creio que essa linha de pensamento ajuda a balancear quando estou demasiado pequeno humano.
"assim falou Zaratustra, e afastou-se da caverna ardente e vigoroso, como o sol matinal que surge dos sombrios montes."
assim falou Zaratustra - um livro para todos e para ninguém
Ao que me pareceu, é um livro sem pé nem cabeça. É um bolo com recheio interessante, inovador, mas de cobertura absurda, quase impenetrável. Para ilustrar o que digo, dois trechos:
"Homens superiores, o pior que tendes é não haver aprendido a dançar como é preciso dançar; a dançar por cima de vossas cabeças! Que importa não terdes sido felizes?"
"Eu ria, ria, ao passo que me tremiam os pés e também o coração."Mas este-disse comigo-é o país dos vasos cloridos" Com a face e os membros pintados de mil maneiras, assim me assombrastes, homens atuais."
Mas no meio de infindáveis alegorias, é possível extrair alguma essência do discurso de zaratustra. Sim, é puro Nietzsche, mas para o leitor que não está a par das filosofias, arrisco aqui resumir o pensamento expresso em Assim falou.
Zaratustra busca o além-homem, o homem superior. Despreza os valores dos 'homens-pequenos', ou seja, paz, mansidão, maniqueísmo, prudência, bondade, mutualismo, cristianismo. Diz que esses valores provém somente da fraqueza e da feminilidade.
Propõe a alegria profunda, e igualmente, a dor profunda; a dança, as pernas fortes, as canções, a solidão. Elogia a guerra, os combates periódicos.
Fala muito dos criadores, dos criadores de novos valores. É uma pena que eu não tenha compreendido muito bem este ponto, então calo-me.
este homem, o zaratustra, é um sábio que deixou sua cidade natal aos trinta anos e isolou-se nas montanhas. Depois de dez anos adquirindo sabedoria na companhia de sua águia e sua cobra, desce ao mundo para ensinar aos homens. Após enfrentar a populaça, viaja pelo mundo deixando discípulos e amigos. Volta à sua caverna. Zaratustra ouve o grito angustioso do homem superior, anda pelo bosque e chama a sua caverna uns estranhos personagens. Chega o grande Meio-dia.
A semelhança entre o sábio e... jesus, é para reforçar a crítica à sociedade cristã, que julga serem absolutos e imutáveis seus valores.
Bom, e quanto a minha opinião em relação a Nietzsche, faço como a esmagadora (e repressora) maioria, e digo, Não concordo de todo.
E então, por que li até o final? Ora, creio que essa linha de pensamento ajuda a balancear quando estou demasiado pequeno humano.
"assim falou Zaratustra, e afastou-se da caverna ardente e vigoroso, como o sol matinal que surge dos sombrios montes."
segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007
splatter
é certo que o papo não é fresquinho, mas escrevo, para não esperar a próxima e quebrar a ausência de pôst que paira neste sítio.
Há uns dias passados, coube-me a tarefa de fritar bananas.
Mêtade, quase, das 23 bananas da fruteira cá de casa apresentavam avançada madureza -moles, pretas, esquisitas- e a mim cabia dar cabo nelas, antes que derretessem. Pensei em comê-las todas cruas, nuas, mas lembrei do risco que mora nos alimentos, digamos, passados.
Cortei-as longitudinalmente, catorze fatias; esquentei o óleo, liguei o exausto. Deitei ao louco banho as bananas; crepitavam, queimavam, ardiam no óleo, no próprio açúcar; gritavam que eu as virasse, que não aguentavam, ameaçavam grudar na panela, estragar o teflon. E vinha o conselho materno - "não vira, se não não faz casquinha" - e eu deixava-as lá, agonizando, acabando com o revestimento da frigideira.
No final, tirei as ditas cujas, e dei um' molhada na frigideira: no fundo, uma camada preta, carvãozinho, carbonão. Aquilo lá, junto com as bananas, ia pra dentro de mim, dos meus familiares, entupir vasos sanguíneos.
E pra quê? bastava comer as bananas uma semana antes, in natura, saudáveis. Aliás, dava até menos trabalho.
Quando eu morar sozinho, vou passar bem longe da frigideira.
Há uns dias passados, coube-me a tarefa de fritar bananas.
Mêtade, quase, das 23 bananas da fruteira cá de casa apresentavam avançada madureza -moles, pretas, esquisitas- e a mim cabia dar cabo nelas, antes que derretessem. Pensei em comê-las todas cruas, nuas, mas lembrei do risco que mora nos alimentos, digamos, passados.
Cortei-as longitudinalmente, catorze fatias; esquentei o óleo, liguei o exausto. Deitei ao louco banho as bananas; crepitavam, queimavam, ardiam no óleo, no próprio açúcar; gritavam que eu as virasse, que não aguentavam, ameaçavam grudar na panela, estragar o teflon. E vinha o conselho materno - "não vira, se não não faz casquinha" - e eu deixava-as lá, agonizando, acabando com o revestimento da frigideira.
No final, tirei as ditas cujas, e dei um' molhada na frigideira: no fundo, uma camada preta, carvãozinho, carbonão. Aquilo lá, junto com as bananas, ia pra dentro de mim, dos meus familiares, entupir vasos sanguíneos.
E pra quê? bastava comer as bananas uma semana antes, in natura, saudáveis. Aliás, dava até menos trabalho.
Quando eu morar sozinho, vou passar bem longe da frigideira.
segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007
Mégane
h..ainda não entendo como isso pode ser nome de carro.
tá, mas o assunto aqui é óculos.
Eu apresentei, oficialmente, miopia pelos meados de minha quarta série. Sentava no fundo, de vez em vez então perguntava o conteúdo para algum colega adjacente. Na quinta série, já ostentava meus aros redondos amarelados (é, não gosto da palavra 'dourados'. não é ouro, é cromo diabo.) .Quebraram, na sexta já tinha em olhos outro, que, aliado ao meu cabelo em crescimento, me garantia ares de.. bom, sexta série. Não me agrada a lembrança. Na sétima, um colega de cabelos espetados sentou-me no óculos. No período em que me vi privado do aparelho, acostumei me a ver o mundo em 2.75 graus de distorção, e, desde então, deixei de lado a assiduidade que prestava aos meus segundos olhos.
O pensamento que prevaleceu, até hoje, foi que óculos deixa com aparência de, caxias, e limita os movimentos esportivos. Enfim, estar sem óculos é estar mais selvagem, mais malandro, bonitôn. Surgiram efeitos da ausência de óculos, que às vezes chamo de justificativas, para continuar a convencer a mim mesmo a continuar a não usar óculos tão frequentemente.
-a habilidade de reconhecer pessoas pela roupa e pelo modo de se movimentar, afinal, com meus atuais quatro graus, fica díficil diferenciar num rosto distante feições e características.
-a tal da cara de sono, que ocorre quando aperto os olhos para esmiuçar detalhes distantes, mas mais frequentemente para disfaraçar meus grandes olhos e me proteger da luz absurda dos dias nublados ou ensolarados.
-a mobilidade aumenta muito, possibilita disparadas e piruetas.
Mas é claro, não estar sempre munido do aro lentilhado, traz desvantagens, que igualmente enumero a seguir
-diminui a minha capacidade de entender a fala de quem eu converso, considerando que boa parte da conversa pessoa-pessoa se dá por leitura labial, e, no caso de certos amigos, por linguagem corporal
-preciso avançar a cabeça quando me é mostrado alguma coisa
-quando a utilização do óculos se mostra inevitável, uso-o, mas logo tiro, então, em vinte segundos, coloco de novo, num incessassante ritual, que não existiria se eu estivesse habituado a usá-lo; nem perceberia a sua presença em meu rosto, e nem os cidadãos ao redor notariam.
Hoje fui no oculista, recebi a notícia de aumento de meio grau. Poderia manter a velha armação, que data do meio da sétima série, mas resolvi arranjar uma nova, mais discreta, mais leve. Se me cair bem, quem sabe eu tomo vergonha na cara, e , como nos velhos tempos,
uso de vez.
tá, mas o assunto aqui é óculos.
Eu apresentei, oficialmente, miopia pelos meados de minha quarta série. Sentava no fundo, de vez em vez então perguntava o conteúdo para algum colega adjacente. Na quinta série, já ostentava meus aros redondos amarelados (é, não gosto da palavra 'dourados'. não é ouro, é cromo diabo.) .Quebraram, na sexta já tinha em olhos outro, que, aliado ao meu cabelo em crescimento, me garantia ares de.. bom, sexta série. Não me agrada a lembrança. Na sétima, um colega de cabelos espetados sentou-me no óculos. No período em que me vi privado do aparelho, acostumei me a ver o mundo em 2.75 graus de distorção, e, desde então, deixei de lado a assiduidade que prestava aos meus segundos olhos.
O pensamento que prevaleceu, até hoje, foi que óculos deixa com aparência de, caxias, e limita os movimentos esportivos. Enfim, estar sem óculos é estar mais selvagem, mais malandro, bonitôn. Surgiram efeitos da ausência de óculos, que às vezes chamo de justificativas, para continuar a convencer a mim mesmo a continuar a não usar óculos tão frequentemente.
-a habilidade de reconhecer pessoas pela roupa e pelo modo de se movimentar, afinal, com meus atuais quatro graus, fica díficil diferenciar num rosto distante feições e características.
-a tal da cara de sono, que ocorre quando aperto os olhos para esmiuçar detalhes distantes, mas mais frequentemente para disfaraçar meus grandes olhos e me proteger da luz absurda dos dias nublados ou ensolarados.
-a mobilidade aumenta muito, possibilita disparadas e piruetas.
Mas é claro, não estar sempre munido do aro lentilhado, traz desvantagens, que igualmente enumero a seguir
-diminui a minha capacidade de entender a fala de quem eu converso, considerando que boa parte da conversa pessoa-pessoa se dá por leitura labial, e, no caso de certos amigos, por linguagem corporal
-preciso avançar a cabeça quando me é mostrado alguma coisa
-quando a utilização do óculos se mostra inevitável, uso-o, mas logo tiro, então, em vinte segundos, coloco de novo, num incessassante ritual, que não existiria se eu estivesse habituado a usá-lo; nem perceberia a sua presença em meu rosto, e nem os cidadãos ao redor notariam.
Hoje fui no oculista, recebi a notícia de aumento de meio grau. Poderia manter a velha armação, que data do meio da sétima série, mas resolvi arranjar uma nova, mais discreta, mais leve. Se me cair bem, quem sabe eu tomo vergonha na cara, e , como nos velhos tempos,
uso de vez.
sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007
passou.
ufa. cessou a tormenta.
no dia que passou, realizei a audição na EMM. Toquei cello pros tiozinho do conservatório.
Era uma quinta feira chuvosa, saí do casulo do lar com o instrumento em mãos, devidamente embalado por galante saco de lixo, na compania do guarda-chuva e seu portador, o irmão. Após enfrentamos banhos horizontais no cruzamento da avenida encharcada, subi as escadarias do esverdeado edifício; encontro-me com companheiro guri violoncelista, que me orienta a entrada ao recinto. Assomo à porta de saleta repleta de colegas de instrumento, envergonho-me ligeiramente dos trajes ensopados, ajeito meus pertences no detrás da porta. Desembanano o curvilíneo e seu respectivo arco, disponho a bolacha ao chão; quando volto do andar inferior, ocorre roda de apresentações, não memorizo nome algum, informação nenhuma: nervosismo. Segue-se longo período de espera, uns conversam, uns afinam, uns tocam -me assustam com a primazia-, chegam uns, saem outros para serem examinados, e o número de músicos na saleta varia de oito a treze. Eu fico,digamos, calado majoritariamente; desejo estar na compania de um livro, comprazo-me em apreciar e temer os talentos alheios. Depois de muitos chamados, soa o nome: "kyôshi beraldo", da voz de um examinador, loiro meio calvo de óculos e pólo branca. Pego o cello e sigo-o, chego à uma sala próxima, um cubo de paredes brancas. Junto ao examinador supracitado, está sentado o tão falado professor fukuda. Sento na cadeira solitária, ajeito-me, percebo que nenhum dos dois está muito interessado em minha presença; digo então, posso tocar? Ao sinal afirmativo, desembesto minhas colcheias ligadas de dezesseis em dezesseis em firulas pré-determinadas no sol maior do exercício oito dos 113 estudos de Dotazauer Grant.
A acústica do cúbiculo resvestiu o som do meu humilde instrumento de veludo impressionante. Todas as dinâmicas, sustenidos problemáticos e mudanças de posição saíram como eu treinara. Sem erros; ofereci o máximo de meu estudo, a ansiedade e o nervosismo de outrora se escondia, assustada em um canto qualquer de minha mente. Findo o um minuto e poucos segundos do exercício, o examinador da direita disse obrigado, chame a... Juliana por favor, enquanto o da esquerda demonstrou ligeiríssimo sorriso.
Saí da sala, um peso dos diabos saía-me das costas, acabara a tensão de três meses. Chamei a instrumentista da CcB, arrumei minhas tranqueiras, despedi-me, ganhei a rua. Trazia na mente a idéia de ter tido êxito no prova, aliás, ainda o penso, e sou capaz de apostar uma cocada com quem duvidar, os resultados saem dia treze.
A prova já tinha ocorrido, o sol brilhava. Mas tinha de me apressar, estava atrasado pro Guri. No dia que se seguiu, ou seja, hoje, acordei atestando dor dilacerante nos braços, decorrentes da sobreforça empregada em ter carregado o trambolhão nos bíceps (saco de lixo não tem alça para as costas). Esvaiu todo o exclusivismo a que me permitira nos dias anteriores, podia agora ser atropelado, molhado, adoentado, afinal, o exame já havia passado! Senti um pouco de saudade, voltei aos afazeres domésticos meio contrariado. E cá estou eu, escrevendo longo texto, sem a saborosa preocupação de refinar a mudança de corda, de tocar um ré preciso.
De volta à rotina bitchô.
no dia que passou, realizei a audição na EMM. Toquei cello pros tiozinho do conservatório.
Era uma quinta feira chuvosa, saí do casulo do lar com o instrumento em mãos, devidamente embalado por galante saco de lixo, na compania do guarda-chuva e seu portador, o irmão. Após enfrentamos banhos horizontais no cruzamento da avenida encharcada, subi as escadarias do esverdeado edifício; encontro-me com companheiro guri violoncelista, que me orienta a entrada ao recinto. Assomo à porta de saleta repleta de colegas de instrumento, envergonho-me ligeiramente dos trajes ensopados, ajeito meus pertences no detrás da porta. Desembanano o curvilíneo e seu respectivo arco, disponho a bolacha ao chão; quando volto do andar inferior, ocorre roda de apresentações, não memorizo nome algum, informação nenhuma: nervosismo. Segue-se longo período de espera, uns conversam, uns afinam, uns tocam -me assustam com a primazia-, chegam uns, saem outros para serem examinados, e o número de músicos na saleta varia de oito a treze. Eu fico,digamos, calado majoritariamente; desejo estar na compania de um livro, comprazo-me em apreciar e temer os talentos alheios. Depois de muitos chamados, soa o nome: "kyôshi beraldo", da voz de um examinador, loiro meio calvo de óculos e pólo branca. Pego o cello e sigo-o, chego à uma sala próxima, um cubo de paredes brancas. Junto ao examinador supracitado, está sentado o tão falado professor fukuda. Sento na cadeira solitária, ajeito-me, percebo que nenhum dos dois está muito interessado em minha presença; digo então, posso tocar? Ao sinal afirmativo, desembesto minhas colcheias ligadas de dezesseis em dezesseis em firulas pré-determinadas no sol maior do exercício oito dos 113 estudos de Dotazauer Grant.
A acústica do cúbiculo resvestiu o som do meu humilde instrumento de veludo impressionante. Todas as dinâmicas, sustenidos problemáticos e mudanças de posição saíram como eu treinara. Sem erros; ofereci o máximo de meu estudo, a ansiedade e o nervosismo de outrora se escondia, assustada em um canto qualquer de minha mente. Findo o um minuto e poucos segundos do exercício, o examinador da direita disse obrigado, chame a... Juliana por favor, enquanto o da esquerda demonstrou ligeiríssimo sorriso.
Saí da sala, um peso dos diabos saía-me das costas, acabara a tensão de três meses. Chamei a instrumentista da CcB, arrumei minhas tranqueiras, despedi-me, ganhei a rua. Trazia na mente a idéia de ter tido êxito no prova, aliás, ainda o penso, e sou capaz de apostar uma cocada com quem duvidar, os resultados saem dia treze.
A prova já tinha ocorrido, o sol brilhava. Mas tinha de me apressar, estava atrasado pro Guri. No dia que se seguiu, ou seja, hoje, acordei atestando dor dilacerante nos braços, decorrentes da sobreforça empregada em ter carregado o trambolhão nos bíceps (saco de lixo não tem alça para as costas). Esvaiu todo o exclusivismo a que me permitira nos dias anteriores, podia agora ser atropelado, molhado, adoentado, afinal, o exame já havia passado! Senti um pouco de saudade, voltei aos afazeres domésticos meio contrariado. E cá estou eu, escrevendo longo texto, sem a saborosa preocupação de refinar a mudança de corda, de tocar um ré preciso.
De volta à rotina bitchô.
quarta-feira, 31 de janeiro de 2007
vacuum
nesses dias de faxina apoteótica nos fundilhos de minha casa, cativei uma especial afeição pelo meu aspirador. É a ferramenta suprema da higiene do carpete, buraco-negro infinito de detritos.
e ele também canta: um sonoro Mi, um pouco alto, mas constante.
sinto uma boa emoção ao me aproximar do solo e caçar restos de civilização com o canudo articulado do ventilador invertido, corre nas veias um ardor de ninja.
poderia me demorar mais em loucas comparações para render texto, mas não há como extrair substância de um tema aleatório como este. Sem mais, Fim.
e ele também canta: um sonoro Mi, um pouco alto, mas constante.
sinto uma boa emoção ao me aproximar do solo e caçar restos de civilização com o canudo articulado do ventilador invertido, corre nas veias um ardor de ninja.
poderia me demorar mais em loucas comparações para render texto, mas não há como extrair substância de um tema aleatório como este. Sem mais, Fim.
sexta-feira, 26 de janeiro de 2007
in loco
desde uns dias atrás, estabeleceu-se em mim um modus operandi, uma sequência de tarefas e atividades constantes 'todos' os dias,
ou aquilo que alguns gostam de chamar de rotina.
rotinas são como lagartixas, não acontecem quando desejamos, mas logo viramos a cara e percebemos que uma outra já se instalou, sem alarde, sem ser chamada. Essa recente rotina apareceu quem sabe, por falta de 'grandes atividades' - pois é, estou em férias predominantemente caseiras, os colegas foram viajar. Então, somente resta o reduto doméstico como foco das atenções; como o ambiente em questão chama a mente à sensatez e à responsabilidade, todas as atividades tem caráter de serviço e produção.
Decorre daí que ler um livro, ver um seriado e tocar um violoncelo revestem se dum aspecto de obrigatoriadade: ora, é tudo aprendizado, não?
E, pois, organizadas as tarefas do expediente, seguem se os dias numa rotina de firma. acordar às dez, ver o televisivo, comer o almoço, tocar o violoncelo, ler o livro, tocar o violoncelo, ler o livro, comer a janta, tocar o violoncelo, ler o livro, dormir.
essa rotina ocorreu no período de tempo em que o site (sítio, provedor, empresa, sei lá) esteve fora do ar. no dia 23, fiquei aliviado em não poder escrever, ansiava pelas reponsabilidades do lar. Mas cá estou escrevendo, escrevendo pouco, e de forma metalinguística, se bem me entende; e daqui a pouco termino o texto, para poder voltar a tocar o violoncelo, ler o livro, jantar, tocar o violoncelo, ler o livro e dormir.
rotina caseira nas férias pode ser algo triste, mas me faz sentir minimamente útil.
ou aquilo que alguns gostam de chamar de rotina.
rotinas são como lagartixas, não acontecem quando desejamos, mas logo viramos a cara e percebemos que uma outra já se instalou, sem alarde, sem ser chamada. Essa recente rotina apareceu quem sabe, por falta de 'grandes atividades' - pois é, estou em férias predominantemente caseiras, os colegas foram viajar. Então, somente resta o reduto doméstico como foco das atenções; como o ambiente em questão chama a mente à sensatez e à responsabilidade, todas as atividades tem caráter de serviço e produção.
Decorre daí que ler um livro, ver um seriado e tocar um violoncelo revestem se dum aspecto de obrigatoriadade: ora, é tudo aprendizado, não?
E, pois, organizadas as tarefas do expediente, seguem se os dias numa rotina de firma. acordar às dez, ver o televisivo, comer o almoço, tocar o violoncelo, ler o livro, tocar o violoncelo, ler o livro, comer a janta, tocar o violoncelo, ler o livro, dormir.
essa rotina ocorreu no período de tempo em que o site (sítio, provedor, empresa, sei lá) esteve fora do ar. no dia 23, fiquei aliviado em não poder escrever, ansiava pelas reponsabilidades do lar. Mas cá estou escrevendo, escrevendo pouco, e de forma metalinguística, se bem me entende; e daqui a pouco termino o texto, para poder voltar a tocar o violoncelo, ler o livro, jantar, tocar o violoncelo, ler o livro e dormir.
rotina caseira nas férias pode ser algo triste, mas me faz sentir minimamente útil.
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