sexta-feira, 2 de março de 2007

mar

poizé, a frequência de posts caiu assustadoramente; talvez porque acabou o carnaval e este que lhes escreve tornou-se um businessman; ou porque ele voltou a um convívio social normal, e ao invés de escrever para seus poucos, usa a linguagem falada.

acho que vai acabar ficando em um pôst semanal.

sábado, 24 de fevereiro de 2007

Leões risonhos

caiu-me este livro em mãos na época de efervescência Nietzscheniana do ano passado. Havia textos sobre e desse prussiano por todos os cantos, mas este chumaço encadernado só constava na estante de inveterado leitor colega nosso. Emprestou-me em meados do meio do ano, li, cansei, reanimei, li no barraco, em casa, na escola; parei na terceira parte, libertei-me em outras leituras; neste presente ano, retomei, terminei a derradeira azeitona... ontem. E cá escrevo, num flerte de crítica, mais para me convencer que tal leitura de algo me serviu, do que para me posicionar sobre "um autor que é impossível de ler e permanecer indiferente".

assim falou Zaratustra - um livro para todos e para ninguém

Ao que me pareceu, é um livro sem pé nem cabeça. É um bolo com recheio interessante, inovador, mas de cobertura absurda, quase impenetrável. Para ilustrar o que digo, dois trechos:
"Homens superiores, o pior que tendes é não haver aprendido a dançar como é preciso dançar; a dançar por cima de vossas cabeças! Que importa não terdes sido felizes?"
"Eu ria, ria, ao passo que me tremiam os pés e também o coração."Mas este-disse comigo-é o país dos vasos cloridos" Com a face e os membros pintados de mil maneiras, assim me assombrastes, homens atuais."

Mas no meio de infindáveis alegorias, é possível extrair alguma essência do discurso de zaratustra. Sim, é puro Nietzsche, mas para o leitor que não está a par das filosofias, arrisco aqui resumir o pensamento expresso em Assim falou.

Zaratustra busca o além-homem, o homem superior. Despreza os valores dos 'homens-pequenos', ou seja, paz, mansidão, maniqueísmo, prudência, bondade, mutualismo, cristianismo. Diz que esses valores provém somente da fraqueza e da feminilidade.
Propõe a alegria profunda, e igualmente, a dor profunda; a dança, as pernas fortes, as canções, a solidão. Elogia a guerra, os combates periódicos.
Fala muito dos criadores, dos criadores de novos valores. É uma pena que eu não tenha compreendido muito bem este ponto, então calo-me.

este homem, o zaratustra, é um sábio que deixou sua cidade natal aos trinta anos e isolou-se nas montanhas. Depois de dez anos adquirindo sabedoria na companhia de sua águia e sua cobra, desce ao mundo para ensinar aos homens. Após enfrentar a populaça, viaja pelo mundo deixando discípulos e amigos. Volta à sua caverna. Zaratustra ouve o grito angustioso do homem superior, anda pelo bosque e chama a sua caverna uns estranhos personagens. Chega o grande Meio-dia.
A semelhança entre o sábio e... jesus, é para reforçar a crítica à sociedade cristã, que julga serem absolutos e imutáveis seus valores.

Bom, e quanto a minha opinião em relação a Nietzsche, faço como a esmagadora (e repressora) maioria, e digo, Não concordo de todo.
E então, por que li até o final? Ora, creio que essa linha de pensamento ajuda a balancear quando estou demasiado pequeno humano.


"assim falou Zaratustra, e afastou-se da caverna ardente e vigoroso, como o sol matinal que surge dos sombrios montes."

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

splatter

é certo que o papo não é fresquinho, mas escrevo, para não esperar a próxima e quebrar a ausência de pôst que paira neste sítio.
Há uns dias passados, coube-me a tarefa de fritar bananas.
Mêtade, quase, das 23 bananas da fruteira cá de casa apresentavam avançada madureza -moles, pretas, esquisitas- e a mim cabia dar cabo nelas, antes que derretessem. Pensei em comê-las todas cruas, nuas, mas lembrei do risco que mora nos alimentos, digamos, passados.
Cortei-as longitudinalmente, catorze fatias; esquentei o óleo, liguei o exausto. Deitei ao louco banho as bananas; crepitavam, queimavam, ardiam no óleo, no próprio açúcar; gritavam que eu as virasse, que não aguentavam, ameaçavam grudar na panela, estragar o teflon. E vinha o conselho materno - "não vira, se não não faz casquinha" - e eu deixava-as lá, agonizando, acabando com o revestimento da frigideira.
No final, tirei as ditas cujas, e dei um' molhada na frigideira: no fundo, uma camada preta, carvãozinho, carbonão. Aquilo lá, junto com as bananas, ia pra dentro de mim, dos meus familiares, entupir vasos sanguíneos.
E pra quê? bastava comer as bananas uma semana antes, in natura, saudáveis. Aliás, dava até menos trabalho.
Quando eu morar sozinho, vou passar bem longe da frigideira.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

Mégane

h..ainda não entendo como isso pode ser nome de carro.
tá, mas o assunto aqui é óculos.

Eu apresentei, oficialmente, miopia pelos meados de minha quarta série. Sentava no fundo, de vez em vez então perguntava o conteúdo para algum colega adjacente. Na quinta série, já ostentava meus aros redondos amarelados (é, não gosto da palavra 'dourados'. não é ouro, é cromo diabo.) .Quebraram, na sexta já tinha em olhos outro, que, aliado ao meu cabelo em crescimento, me garantia ares de.. bom, sexta série. Não me agrada a lembrança. Na sétima, um colega de cabelos espetados sentou-me no óculos. No período em que me vi privado do aparelho, acostumei me a ver o mundo em 2.75 graus de distorção, e, desde então, deixei de lado a assiduidade que prestava aos meus segundos olhos.
O pensamento que prevaleceu, até hoje, foi que óculos deixa com aparência de, caxias, e limita os movimentos esportivos. Enfim, estar sem óculos é estar mais selvagem, mais malandro, bonitôn. Surgiram efeitos da ausência de óculos, que às vezes chamo de justificativas, para continuar a convencer a mim mesmo a continuar a não usar óculos tão frequentemente.
-a habilidade de reconhecer pessoas pela roupa e pelo modo de se movimentar, afinal, com meus atuais quatro graus, fica díficil diferenciar num rosto distante feições e características.
-a tal da cara de sono, que ocorre quando aperto os olhos para esmiuçar detalhes distantes, mas mais frequentemente para disfaraçar meus grandes olhos e me proteger da luz absurda dos dias nublados ou ensolarados.
-a mobilidade aumenta muito, possibilita disparadas e piruetas.
Mas é claro, não estar sempre munido do aro lentilhado, traz desvantagens, que igualmente enumero a seguir
-diminui a minha capacidade de entender a fala de quem eu converso, considerando que boa parte da conversa pessoa-pessoa se dá por leitura labial, e, no caso de certos amigos, por linguagem corporal
-preciso avançar a cabeça quando me é mostrado alguma coisa
-quando a utilização do óculos se mostra inevitável, uso-o, mas logo tiro, então, em vinte segundos, coloco de novo, num incessassante ritual, que não existiria se eu estivesse habituado a usá-lo; nem perceberia a sua presença em meu rosto, e nem os cidadãos ao redor notariam.

Hoje fui no oculista, recebi a notícia de aumento de meio grau. Poderia manter a velha armação, que data do meio da sétima série, mas resolvi arranjar uma nova, mais discreta, mais leve. Se me cair bem, quem sabe eu tomo vergonha na cara, e , como nos velhos tempos,

uso de vez.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

passou.

ufa. cessou a tormenta.
no dia que passou, realizei a audição na EMM. Toquei cello pros tiozinho do conservatório.
Era uma quinta feira chuvosa, saí do casulo do lar com o instrumento em mãos, devidamente embalado por galante saco de lixo, na compania do guarda-chuva e seu portador, o irmão. Após enfrentamos banhos horizontais no cruzamento da avenida encharcada, subi as escadarias do esverdeado edifício; encontro-me com companheiro guri violoncelista, que me orienta a entrada ao recinto. Assomo à porta de saleta repleta de colegas de instrumento, envergonho-me ligeiramente dos trajes ensopados, ajeito meus pertences no detrás da porta. Desembanano o curvilíneo e seu respectivo arco, disponho a bolacha ao chão; quando volto do andar inferior, ocorre roda de apresentações, não memorizo nome algum, informação nenhuma: nervosismo. Segue-se longo período de espera, uns conversam, uns afinam, uns tocam -me assustam com a primazia-, chegam uns, saem outros para serem examinados, e o número de músicos na saleta varia de oito a treze. Eu fico,digamos, calado majoritariamente; desejo estar na compania de um livro, comprazo-me em apreciar e temer os talentos alheios. Depois de muitos chamados, soa o nome: "kyôshi beraldo", da voz de um examinador, loiro meio calvo de óculos e pólo branca. Pego o cello e sigo-o, chego à uma sala próxima, um cubo de paredes brancas. Junto ao examinador supracitado, está sentado o tão falado professor fukuda. Sento na cadeira solitária, ajeito-me, percebo que nenhum dos dois está muito interessado em minha presença; digo então, posso tocar? Ao sinal afirmativo, desembesto minhas colcheias ligadas de dezesseis em dezesseis em firulas pré-determinadas no sol maior do exercício oito dos 113 estudos de Dotazauer Grant.
A acústica do cúbiculo resvestiu o som do meu humilde instrumento de veludo impressionante. Todas as dinâmicas, sustenidos problemáticos e mudanças de posição saíram como eu treinara. Sem erros; ofereci o máximo de meu estudo, a ansiedade e o nervosismo de outrora se escondia, assustada em um canto qualquer de minha mente. Findo o um minuto e poucos segundos do exercício, o examinador da direita disse obrigado, chame a... Juliana por favor, enquanto o da esquerda demonstrou ligeiríssimo sorriso.
Saí da sala, um peso dos diabos saía-me das costas, acabara a tensão de três meses. Chamei a instrumentista da CcB, arrumei minhas tranqueiras, despedi-me, ganhei a rua. Trazia na mente a idéia de ter tido êxito no prova, aliás, ainda o penso, e sou capaz de apostar uma cocada com quem duvidar, os resultados saem dia treze.
A prova já tinha ocorrido, o sol brilhava. Mas tinha de me apressar, estava atrasado pro Guri. No dia que se seguiu, ou seja, hoje, acordei atestando dor dilacerante nos braços, decorrentes da sobreforça empregada em ter carregado o trambolhão nos bíceps (saco de lixo não tem alça para as costas). Esvaiu todo o exclusivismo a que me permitira nos dias anteriores, podia agora ser atropelado, molhado, adoentado, afinal, o exame já havia passado! Senti um pouco de saudade, voltei aos afazeres domésticos meio contrariado. E cá estou eu, escrevendo longo texto, sem a saborosa preocupação de refinar a mudança de corda, de tocar um ré preciso.

De volta à rotina bitchô.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2007

vacuum

nesses dias de faxina apoteótica nos fundilhos de minha casa, cativei uma especial afeição pelo meu aspirador. É a ferramenta suprema da higiene do carpete, buraco-negro infinito de detritos.
e ele também canta: um sonoro Mi, um pouco alto, mas constante.
sinto uma boa emoção ao me aproximar do solo e caçar restos de civilização com o canudo articulado do ventilador invertido, corre nas veias um ardor de ninja.


poderia me demorar mais em loucas comparações para render texto, mas não há como extrair substância de um tema aleatório como este. Sem mais, Fim.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2007

in loco

desde uns dias atrás, estabeleceu-se em mim um modus operandi, uma sequência de tarefas e atividades constantes 'todos' os dias,
ou aquilo que alguns gostam de chamar de rotina.

rotinas são como lagartixas, não acontecem quando desejamos, mas logo viramos a cara e percebemos que uma outra já se instalou, sem alarde, sem ser chamada. Essa recente rotina apareceu quem sabe, por falta de 'grandes atividades' - pois é, estou em férias predominantemente caseiras, os colegas foram viajar. Então, somente resta o reduto doméstico como foco das atenções; como o ambiente em questão chama a mente à sensatez e à responsabilidade, todas as atividades tem caráter de serviço e produção.
Decorre daí que ler um livro, ver um seriado e tocar um violoncelo revestem se dum aspecto de obrigatoriadade: ora, é tudo aprendizado, não?
E, pois, organizadas as tarefas do expediente, seguem se os dias numa rotina de firma. acordar às dez, ver o televisivo, comer o almoço, tocar o violoncelo, ler o livro, tocar o violoncelo, ler o livro, comer a janta, tocar o violoncelo, ler o livro, dormir.

essa rotina ocorreu no período de tempo em que o site (sítio, provedor, empresa, sei lá) esteve fora do ar. no dia 23, fiquei aliviado em não poder escrever, ansiava pelas reponsabilidades do lar. Mas cá estou escrevendo, escrevendo pouco, e de forma metalinguística, se bem me entende; e daqui a pouco termino o texto, para poder voltar a tocar o violoncelo, ler o livro, jantar, tocar o violoncelo, ler o livro e dormir.

rotina caseira nas férias pode ser algo triste, mas me faz sentir minimamente útil.

sábado, 20 de janeiro de 2007

o das ovelhas

eu nunca entendi a grande polêmica que gira em torno de paulo coelho. Aos meus olhos, o dito 'Mago' se assemelha a um hard rocker, idolatrado por uns e odiado por outros, é do tipo que não passa despercebido.
então, para me posicionar sobre o assunto, resolvi ler um de seus livros, "o Alquimista".
comecei na noite de um dia, li na manhã e madrugada do seguinte e terminei na tarde do terceiro.
é uma narrativa, parece uma fábula, uma parábola, um conto da carochinha. talvez por isso tenha me instigado tanto.
a linguagem é simbólica. Fala das coisas do universo, das divindades, dos humanos, da vida; essas coisas que são importantes, mas que ninguém se importa com elas. passaria por livro de auto-ajuda, mas vai um pouco além disso.
Gostei de ter lido, aprendi alguma coisa. manifestaria um pouco do adquirido, mas pareceria piegas aos olhos destes leitores "poucos".

para não terminar o pôst em cima do muro em relação à 'Questão Paulo Coelho', mesmo considerando que só li um livro, e que não entendo o significado de "literatura", digo que não acho que este jornalista músico deva ser considerado -literatura- e posto ao lado de machado de assis, josé de alencar e outros barbudos.
afinal, ele mais se importa com o conteúdo.

poizé, Maktub.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

ba[na]nal.

esses dias, aprendi a fazer bolo de banana.
ovos, açúcar, farinha de rosca(no caso, mandioca), óleo, bananas, fermento, passas.
enquanto 'fazia', ocorreu me a idéia: bolo de banana é um negócio muito cantada.
tá, narrativas não são o forte deste blog, mas o que segue é apenas uma historinha para ilustrar a idéia.

O indivíduo chega, de chapéu, rodando uma moeda no ar, calça de brim, escovado. Encosta o braço direito no poste, faz um quatro com as pernas. Diz, num tom misterioso, à garota que espera o farol de pedestres abrir: "quer ir lá em casa... provar do meu bolo de banana?"
a pobre moça pensa; um rapaz tão sensível, delicado, que cozinha.... é, não há mal. E vai.
Após o bolo e o chá de erva doce, ao cair da noite, sem que a jovem esperasse, o maganão vai... e a defenestra.


poizé, quando eu aprimorar meus dotes culinários, tomara que os reserve só para mim.

domingo, 14 de janeiro de 2007

rascunho

hoje é dia catorze. publicarei este texto em outro dia. se aparecer lá em cima o dia da publicação, terei uma poderosa ferramenta.
clicarei agora em "salvar como rascunho".adeus, seres do futuro.

num deu

poizé, hoje eu pretendia escrever sobre rodízios de pizza, mas meu tempo hoje no computador é curto.
inclusive, percebi que não é lá muito bacana dedicar muitas horas à máquina, e nem acessar a internet todos os dias.
e eu ajoelho meus olhos ao monitor somente para usar o orkut e escrever neste blog. escrevendo um dia sim um dia não, pude desfrutar plenamente dos prazeres caseiros, livre da preocupação de escrever aqui.
além do mais, constato que não há ninguém vistoriando este blog dia sim dia não para ler textos novos- afinal, estamos todos de férias, está cada um voltado a seu lar, seu interior.
mudo então minha frequência: escreverei dia sim, dia não, dia não; como num compasso ternário. quando voltarem as aulas e aumentar a assiduidade dos transeuntes, volto à antiga frequência.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2007

Comida

já é a terceira vez que começo a escrever este texto, o computador insiste em travar. mas a cada vez fica melhor a introdução. Sem mais delongas, começo.
Comer em excesso, esse é o tema.
a problemática aqui não tem a ver com obesidade, dado o fato de que eu não consigo acumular tecido adiposo. trata-se de analisar esse comportamento de 'alimentar se sem ter fome'. ou seja, comer por comer, superfluamente.
A base de análise é o próprio autor, e talvez o resultado do estudo só traga benefícios para ele. mas se quiser prosseguir, certifique se de possuir metabolismo semelhante.

há basicamente duas ocasiões em que como sem realmente precisar, nas refeições e entre elas.

1. nas refeições. Já faz quase uma década que escolho a quantidade, cores e tipos de alimento que compõem meu prato. Logicamente, exercendo a tarefa duas vezes por dia, seria de se esperar que eu obtivesse experiência logo no segundo ano de prática. Mas não, persisto ingerindo alimento desnecessário, que 'pesa' no estômago, no intestino grosso, e depois é eliminado sem que suas propriedades nutricionais sejam realmente aproveitadas.
quais seriam a razões disso? Eu já refleti sobre, mas compartilho com vocês.
a)as comidas cá de casa são muito boas. minhas pupilas gustativas ignoram as mensagens de saciedade e pedem mais um pedaço de manga, mais uma colherada de gohan.
b)há, imbutido na minha cabeça, um conceito de que comida vegetarana contém pouca proteína, ferro e cálcio. Meu 'ego' sabe que não é lá verdade, mas o 'Id' faz com que hajam garfadas adicionais de brócolis, feijão e Tofu. e esses dois últimos são consideravelmente 'densos'.
c)evitar desperdício. devorar o conteúdo de um 'tápeuér' inteiro só por suspeitar que o alimento deteriorará no dia seguinte.
d)o Dráuzio, aquele médico lá, escreveu uma vez que o ser humano tende a se alimentar mais do que o necessário para criar reservas de gordura, já que a natureza não tende a alimentar seus habitantes com regularidade(e os bichos homens continuam a comer a mais mesmo vivendo fora da natureza). Esse argumento é ótimo pra muitas pessoas, mas não para mim, meus irmãos e outros amigos, que não engordam.

Não, não fui eu que bolei essa solução, mas cá apresento. Sair da mesa logo após comer o necessário. o centro de saciedade demora um tempinho pra avisar o resto do corpo, diminui a probabilidade de comer um belo refogado que só foi preparado depois que os seus talheres foram depostos. Estou pondo em prática.

2.entre as refeições. é a clássica bolacha depois do exercício de logarítmo, o doce depois de meia hora de cello, a granola depois de dois capítulos. É quando o alimento não serve mais para alimentar, mas para espairecer. se está angustiado ou cansado em demasia, daí busca-se um ligeiro prazer no paladar. além do vazio existencial que se segue, os dentes pedem mais uma escovação.
percebi que é um 'mal' que me acomete nos tempos que estou desocupado, sabe, sem preocupações relevantes, e quando estou ansioso.

o antídoto que penso em criar para isso é:
a) não ficar desocupado ou ansioso. Isso inclusive soluciona muitos outros problemas. mas é uma conduta difícil, portanto, quando não der certo,
b)trocar o ligeiro prazer no paladar por outro mais salutar, como as endorfinas da atividade física. mas caso uma bela cambalhota não resolva o caso,
c)tomar um copo d'água, de preferência gelada. Água não faz mal (tá, eu sei, em excesso causa), não custa nada e não suja muito o copo. porém, se o líquido óxido de dihidrôgênio, químicas que me corrijam, não satisfazer a gula,
d)manter fora do alcance as guloseimas. ainda bem que não como chocolate. como disse meu amigo gasoso "Não comam choco...argh... late!". Mas ainda há muitas bolhacinhas pãezinhos docinhos bananas açúcares mascavos granolas sucos e coisas mais a meu dispor.

está terminado o texto. fico aliviado. caso o leitor tenha lido o pôust estrutural, informo que esse escrito é do terceiro tipo. e bem subdividido, como é de praxe. Por ser um dos poucos dessa envergadura, peço ao transeunte o apoio na forma de comentários(críticas, opiniões, complementos) para que haja ânimo de escrever outros desse porte.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

futari

tu...
andavas comias partias
tu andaste comeste partiste.
ah, que Andes com as partas,
tu andando comendo partindo.

que bela aliteração há na conjugação da segunda pessoa, não achas?
pretendo, deste momento em diante, estar provido de lista de conjugação de verbos para melhor escrever-te, ó raro leitor.

Anda, come estes versos,
e Parte.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2007

Rôsangela Turner

ih rapaz, rotina.

na minha cabeça, manter rotinas é algo benéfico. Aquele papo de "o hábito faz o monge" me impressiona muito. e me leva até a devaneios matemáticos.
- se todo dia eu ler dez páginas de Larousse, em nove meses terminarei um volume; se todo dia eu reservar vinte minutos para alongar minha perna direita, no inverno tocarei o chão; se guardar um trocado todo fim de semana, comprarei uma gaita de foles antes de casar.
mas percebo sempre que não consigo manter as rotinas. Começo a todo vapor, até estimulo os que me rodeiam, passa um tempo e a coisa toda.... mia.
Será que os bichos homens foram feitos para a disciplina? talvez seja coisa da pouca idade.

enfim, chego ao objetivo deste pôst. anunciar que a rotina de escrever um ou dois textos todo santo dia miou. é um comportamento insustentável, mas que era compensado pela emoção de um blog recém nascido.
Haverá, provavelmente, um pôst novo dia sim dia não, enquanto eu estiver sob férias escolares.

Em última instância, é uma medida pra assegurar a qualidade dos textos.

domingo, 7 de janeiro de 2007

for- migas

no apartamento em que habito, há uma varanda. assemelha se a um ligeiro nariz no prédio, voltado pra face sul. Não bate muito sol, só recebe a luz matutina.
e, na varanda, há plantas. Não lá muito viçosas, mas que tento a muito custo cultivar, para compensar a malsinação de ser um menino do cimento. Marias sem vergonha, um abacate miúdo, uma pitangueira miúda, uma uveira(?) miúda, uma mexeriqueira(?) miúda, uma ameixeira amarela miúda, duas respeitáveis amoreiras miúdas, uma flor de maio, uma cebola ornamental, uma pimenteira, uns lírios, um hortelã meninote, uma sálvia, umas orquídeas, dois cactos, plantas rasteiras recém chegadas, feijõejinhos e algumas violetas. Todas espremidas em vasinhos, xaxins e dois tanques.
nas plantas há bichinhos. Há os tipos não vegetarianos; como aranhas, mosquitinhos, respeitáveis lesmas e um grilo solitário; e os que se alimentam de seiva. Esses últimos, são muito estranhos: há uns brancos, parecem fungo, pulgões, outros com uma conchinha marrom -verde e flexível quando jovens- que aparecem em enorme número na planta grande e sem nome, e uma espécie absurda, com uma carapaça sedimentar esbranquiçada.
Ao longo dos meses, conclui que a maioria destes parasitas é regida por uma civilização muito organizada de hexápodes, as formigas. as cá de casa são vermelhas e miúdinhas, parecem uns irlandeses. Estes artrópodes estão por toda a varanda, dominam três quartos dos vasos, é o diabo. moram nas paredes e dentro da terra.
Assemelham-se a seres humanos, 'devastam' o meio ambiente em que se encontram. as plantinhas que sofrem a ação delas estão mais fracas e cheias de pelotas, os parasitas. É como se fossem pecuaristas, nas palavras do memorável professor Pardal.
Como sou também ser humano, não admito outra forma de vida inteligente disputando o meu território. Tratei logo de aplicar veneno, mas não funcionou. em uma semana já estavam novamente à ativa. Antes de uma nova investida, paro e penso, se é necessário mesmo, se não posso conviver pacificamente com elas, tentar conversar, mandá-las a outro planeta.

acho que não.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2007

por que raios..

como nasceu esse site, de aspecto de embrulho de presente?

após ter publicado um texto em blog alheio, percebi o sabor de publicar os pensamentos num lugar de acesso a virtualmente o mundo inteiro, mas efetivamente a um círculo restrito de pessoas, regido pela lei de interesse e adequação.
daí surgiu a ânsia de criar um próprio, não com os mesmos motivos do post inicial, mas para dar vazão àqueles pensamentos cotidianos e que me atormentam em meus momentos de silêncio.

quando disse pro irmão um pouco mais velho: "tô com vontade de criar um blog"
ele disse "ah, pra escrever para seus -amiguinhos?" senti me uma pré-adolescente, que sairia aos quatro cantos da rede de computadores, a gritar- "comenta no meu floguxo?"
Ah rapaz, que vergonha.

mas cá estou, escrevendo. Posso dar a desculpa, que esse blog e seus escritos frequentes podem auxiliar minhas habilidades redacionais. e para dar consistência a esse louco argumento, às vezes peço conselhos e arrisco viagens gramaticais. Ademais, esqueçam que leram este último parágrafo.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2007

unha-de-vaca

ah rapaz, outro dia um saxofonista dos cabelos espiralados me emprestou um livro, livro fininho, o título parece em latim.
"talvez nosso amigo gasoso goste mais" disse ele, mas digo eu que gostei mais do que ele gostará.

é repleto de citações. parece que o autor sobe nos ombros de gigantes.
mas é, digamos, bucólico, gosto disso. -"veja só como estão agradecidas"[as plantas, dançando na chuva].
pra quê livro espírita? esse me bastou.

Você aí, participante de nosso círculo de conhecidos, pegue esse livro emprestado.

íntegro

ah meus patrícios, hoje eu fiz arroz.... integral.

cozinhar é uma das melhores coisas que posso aprender. Se comer é útil e agradável, possibilitar uma comilança é deveras mais.
Quando eu souber preparar comida, serei o dono do mundo, ou pelo menos do meu nariz. de que adianta ter dezoito anos, um carro, e não saber refogar um brócolis? Ainda mais eu, um vegetarianozinho frescurento.
Nessas jônias férias, hei de aprender os mistérios do banho maria, e quem sabe até, da panela de pressão.
é o tipo de arte que não dura, no dia seguinte o feito já está boiando no pinheiros, mas fica o aprendizado. o ruim é que o feitio toma muito tempo da 'rotina'.

Encontra-se receitas até em escritos filosóficos, portanto, transcrevo aqui como se prepara o arroz hoje produzido. Não lhes será útil, decerto, mas serve para o futuro olvido do autor.
-quase dois copos de arroz integral, lavar bem, mais de três vezes. Colocar na panela, e acrescentar cinco copos de água. De preferência tratada, da sabesp. Ligar o fogo; como demora pra ferver, pegar uma frigideira e ir preparando o tempero enquanto isso. Tacar óleo na frígida panela, esquentar. Arremessar cebola, depois alho. quando 'morenar', adicionar três tomates previamente cortados em quadradinho -tomar cuidado com o óleo que eventualmente espirre. Adicionar sal. Então, caso o arroz esteja já fervendo, despejar o que há na frigideira na panela cheia d'água. O tal do integral ficará vermelhinho, e o cozinheiro, fascinado. Baixar o fogo e colocar tampa semi fechada. Esperar um tempo, tocar uma flautinha, ler uma enciclopédia, voltar à panela. Provar o arroz, ajustar o sal. Picar cebolinha e salsinha, lançar ao arroz caso sinta que está quase findo o cozimento. Quando o arroz estiver quase secando, cessar o fornecimento de gás e tampar a panela.
-adoro esse tempo verbal.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2007

mula, vir, gula .

uh, vírgulas.
sempre que escrevo, enfio um milhão de vírgulas. Curiosamente o dino também. Acho que faço isso numa tentativa de marcar a respiração do texto, como se fosse uma frase falada. Sei lá, quando leio um texto sem muitas vírgulas, ele me parace enfadonho. Ás vezes acho que as uso inadequadamente. vocês, como frequentadores letrados, tratem de me corrigir quando ocorrer.

E os pontos? De uns tempos pra cá, talvez por infuência gasosa, passei a colocar muitos pontos, para separar bem as idéias, e quem sabe até, para indicar respirações mais longas. Começou no orkut, no eme-esse-ene, depois passou pros textos escolares, e meu blog também está recheado de pontos. De vez em quando deixo a palvra que segue o ponto na minúscula - tomara que isso não se reflita nas minhas tarefas e textos formais- provavelmente para indicar que o ponto não é um ponto propriamente dito, mas uma vírgula reforçada.

mas algo me aflige, e espero que os leitores possam me ajudar. Me digam, como se usa um ponto e vírgula?

ah, tentem não ser metalinguísticos. eu me segurei.

estrutural

há, nesse blog, três tipos básicos de 'pôust'.
descrevo-os no que se segue:

1. os que falam do próprio blog. Explicam a razão da cor das cortinas do site, da finalidade, do que se espera dos transeuntes, da periodicidade de escritos, da estrura, coisas assim. Parece besteira destinar linhas dos posts para isso, mas há muito o que escrever, e o espaço lá em cima, em itálico, debaixo das letras grandes e verdes, só comporta quinhentos caracteres.
e... olha só, este presente post é desse reino, filo dos estruturais.

2. os que falam sobre tudo. São numerosos e responsáveis pela frequência dos posts. São os mais divertidos inclusive, escrevo sobre rabanetes estrelas alicates dezembros ondas, opino sobre cortar unhas pular montes ler mentes vergar escaróides. São aquelas coisas que digo quando sou tomado por ondas de expansividade, mas que cá escrevo por que estou de férias. é neles que posso exercitar um modus escrivitum leve e passageiro. Talvez não agradem os leitores não adeptos ao estilo nonsense teceniano, portanto, sintam se à vontade de baixar a barra de rolagem à menor suspeita de posts desse tipo.
espero que meus assuntos não acabem. mas acho que não, dá pra escrever sobre tudo, mesmo.

3. os que falam de coisas importantes. são poucos e normalmente extensos. Falam a opinião do autor sobre assuntos que ele julga cruciais no momento, e que são pouco discutidos, considerando a colossal importância deles. Raramente as idéias do autor encontra solo fértil nas mentes dos indivíduos com quem conversa, portanto, este, numa tentativa de manter vivas as sementes, guarda-as neste blog. Quem passa, lê, e, na cabeça de uns poucos germina esses conceitos que ele teima em disseminar. E também, claro, o autor, quando ficar velho, virar 'gente grande', como diria o petit, retomar esses ideais.


ah, esses tipos às vezes se misturam. Em algum post no futuro discorro sobre essa ânsia minha de dividir e classificar, e estranhamente, em três.

terça-feira, 2 de janeiro de 2007

ma quê diab...

estabeleceu-se em mim uma expressão idiomática. Uma daquelas fortes e boas, que grudam no linguajar.
Foi adquirida durante a viagem ao barraco do bombadão, em peruíbe, mais especificamente no primeiro dia, em que tive contato com seu eixo familiar. Parece que eu, inconscientemente, numa tentativa desesperada de me ajustar ao novo meio, me agarrei à essa gíria. Do diabo.

a minha mãe não gosta muito, tem lá suas razões. Meu irmão começa a se cansar da ladainha. Muitos compatriotas já foram contagiados, lembro em especial de um amigo violinista, que, debaixo de sua boina diz com gosto: Ô diabo.

sei lá, alguma hora isso passa.
estou começando a sustituir pelo indefectível 'Ah rapaz', muito presente no liguajar cafeicultor, dinal e triplo regral.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2007

2 .007 megapixels

resoluções de ano novo.

Peço perdão aos leitores, mas esse post não lhes interessará nem um pouco. Uso neste momento o blog como Diário virtual , na falta de um diário de papel ou uma agenda; para no final do ano, se este lugarejo ainda existir, conferir se cumpri minhas metas.

são poucas e boas:
-Cuidar das plantas da varanda, regando-as antes de sair de casa.
-Manter o nível de interesse nos estudos adquirido em 2006, e eventualmente aumentá-lo.
-Melhorar meus conhecimentos técnicos em serviços domésticos, especialmente na culinária.

acho que é só kyo.

Intercalando

usar título em gerúndio é coisa de chorões. Sinto me honrado.

Parece que existe dentro de mim uma lógica interna, notada em 2003. É um louco mecanismo que faz intercalar anos bons e anos não tão bons. Os anos melhores, os dourados, são os anos ímpares. Os não tão geniais são os anos pares.

Como ainda não possuo nem duas décadas de existência, o sistema não é infalível, mas demonstro a seguir no que me baseei. Tavez a relação que se segue seja maçante para o leitor que não cursou a mesma escola de ensino fundamental que eu, portanto, sinta-se a vontade de pular uns trechos.

era coperativa
1996- pré-escola, pSôra Célia. Gritava com a gente, e talvez seja graças a ela a minha deficiência em decifrar horas em relógios ditos 'analógicos'. Conheci o Dinola.
1997- primeira série. psôra Leika, japonesa gentil, ensinou-nos astronomia.
1998- Psôra Adriana, repassou nos uma maçante - na época - narrativa de Amyr Klink.
1999- Genial sôra Cristina. Belo ano
2000-Ivaneide. Autoritária demais.
2001-Quinta série, união das turmas da manhã e da tarde. Muita gente, muitos professores, muita alegria.
2002-Ano terrível. A turma esvaziou. Assistia emetiví, usava óculos e estava com o cabelo 'em crescimento'. Ouvia Linkin Park. Anos negro.
2003- Ah, sétima série, belo ano. deixei o cabelo crescer, os óculos quebraram, passei a ouvir metal e a fazer malabarismos.
2004- Ano 'normalzinho'. O que salvou foi o cursinho, foi aí que eu descobri o quão grande era o mundo.

era federal
2005-Bixo. Foi o ano de conhecer o mundo, andar com as próprias pernas. Ano de Guri, Federal, Turma100.
2006-Dizem os colegas federais que eu não estive tão brilhante, eu refuto, mas preciso do distanciamento de alguns anos pra ver isso.
2007-Bem, é um ano ímpar, é o último ano de federal e provavelmente o primeiro de municipal.

Eu não sei se gostaria que esse determinismo deixasse de existir, já que estou começando um ano ímpar, mas me entristece o fato da minha vida se assemelhar às listras de uma zebra.


kyo, lembre se de ler isso aqui daqui uns tempos.