h..ainda não entendo como isso pode ser nome de carro.
tá, mas o assunto aqui é óculos.
Eu apresentei, oficialmente, miopia pelos meados de minha quarta série. Sentava no fundo, de vez em vez então perguntava o conteúdo para algum colega adjacente. Na quinta série, já ostentava meus aros redondos amarelados (é, não gosto da palavra 'dourados'. não é ouro, é cromo diabo.) .Quebraram, na sexta já tinha em olhos outro, que, aliado ao meu cabelo em crescimento, me garantia ares de.. bom, sexta série. Não me agrada a lembrança. Na sétima, um colega de cabelos espetados sentou-me no óculos. No período em que me vi privado do aparelho, acostumei me a ver o mundo em 2.75 graus de distorção, e, desde então, deixei de lado a assiduidade que prestava aos meus segundos olhos.
O pensamento que prevaleceu, até hoje, foi que óculos deixa com aparência de, caxias, e limita os movimentos esportivos. Enfim, estar sem óculos é estar mais selvagem, mais malandro, bonitôn. Surgiram efeitos da ausência de óculos, que às vezes chamo de justificativas, para continuar a convencer a mim mesmo a continuar a não usar óculos tão frequentemente.
-a habilidade de reconhecer pessoas pela roupa e pelo modo de se movimentar, afinal, com meus atuais quatro graus, fica díficil diferenciar num rosto distante feições e características.
-a tal da cara de sono, que ocorre quando aperto os olhos para esmiuçar detalhes distantes, mas mais frequentemente para disfaraçar meus grandes olhos e me proteger da luz absurda dos dias nublados ou ensolarados.
-a mobilidade aumenta muito, possibilita disparadas e piruetas.
Mas é claro, não estar sempre munido do aro lentilhado, traz desvantagens, que igualmente enumero a seguir
-diminui a minha capacidade de entender a fala de quem eu converso, considerando que boa parte da conversa pessoa-pessoa se dá por leitura labial, e, no caso de certos amigos, por linguagem corporal
-preciso avançar a cabeça quando me é mostrado alguma coisa
-quando a utilização do óculos se mostra inevitável, uso-o, mas logo tiro, então, em vinte segundos, coloco de novo, num incessassante ritual, que não existiria se eu estivesse habituado a usá-lo; nem perceberia a sua presença em meu rosto, e nem os cidadãos ao redor notariam.
Hoje fui no oculista, recebi a notícia de aumento de meio grau. Poderia manter a velha armação, que data do meio da sétima série, mas resolvi arranjar uma nova, mais discreta, mais leve. Se me cair bem, quem sabe eu tomo vergonha na cara, e , como nos velhos tempos,
uso de vez.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
4 comentários:
não imaginava a imensidão de uma mudança de meio grau.
quando coloquei os óculos, pareceu me que a realidade era mais real que o imáginável.
ah, os óculos são de fato leves e invisíveis.
Alfredo sabia quando os filmes estavam fora de foco
("Nuovo Cinema Paradiso")
Mesmo depois, quando cego
sempre quis, por um só dia, ver como vocês vêem.
por curiosidade.
Postar um comentário