segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

Mégane

h..ainda não entendo como isso pode ser nome de carro.
tá, mas o assunto aqui é óculos.

Eu apresentei, oficialmente, miopia pelos meados de minha quarta série. Sentava no fundo, de vez em vez então perguntava o conteúdo para algum colega adjacente. Na quinta série, já ostentava meus aros redondos amarelados (é, não gosto da palavra 'dourados'. não é ouro, é cromo diabo.) .Quebraram, na sexta já tinha em olhos outro, que, aliado ao meu cabelo em crescimento, me garantia ares de.. bom, sexta série. Não me agrada a lembrança. Na sétima, um colega de cabelos espetados sentou-me no óculos. No período em que me vi privado do aparelho, acostumei me a ver o mundo em 2.75 graus de distorção, e, desde então, deixei de lado a assiduidade que prestava aos meus segundos olhos.
O pensamento que prevaleceu, até hoje, foi que óculos deixa com aparência de, caxias, e limita os movimentos esportivos. Enfim, estar sem óculos é estar mais selvagem, mais malandro, bonitôn. Surgiram efeitos da ausência de óculos, que às vezes chamo de justificativas, para continuar a convencer a mim mesmo a continuar a não usar óculos tão frequentemente.
-a habilidade de reconhecer pessoas pela roupa e pelo modo de se movimentar, afinal, com meus atuais quatro graus, fica díficil diferenciar num rosto distante feições e características.
-a tal da cara de sono, que ocorre quando aperto os olhos para esmiuçar detalhes distantes, mas mais frequentemente para disfaraçar meus grandes olhos e me proteger da luz absurda dos dias nublados ou ensolarados.
-a mobilidade aumenta muito, possibilita disparadas e piruetas.
Mas é claro, não estar sempre munido do aro lentilhado, traz desvantagens, que igualmente enumero a seguir
-diminui a minha capacidade de entender a fala de quem eu converso, considerando que boa parte da conversa pessoa-pessoa se dá por leitura labial, e, no caso de certos amigos, por linguagem corporal
-preciso avançar a cabeça quando me é mostrado alguma coisa
-quando a utilização do óculos se mostra inevitável, uso-o, mas logo tiro, então, em vinte segundos, coloco de novo, num incessassante ritual, que não existiria se eu estivesse habituado a usá-lo; nem perceberia a sua presença em meu rosto, e nem os cidadãos ao redor notariam.

Hoje fui no oculista, recebi a notícia de aumento de meio grau. Poderia manter a velha armação, que data do meio da sétima série, mas resolvi arranjar uma nova, mais discreta, mais leve. Se me cair bem, quem sabe eu tomo vergonha na cara, e , como nos velhos tempos,

uso de vez.

4 comentários:

Joaquim disse...

não imaginava a imensidão de uma mudança de meio grau.
quando coloquei os óculos, pareceu me que a realidade era mais real que o imáginável.
ah, os óculos são de fato leves e invisíveis.

Anônimo disse...

Alfredo sabia quando os filmes estavam fora de foco

("Nuovo Cinema Paradiso")

Anônimo disse...

Mesmo depois, quando cego

H disse...

sempre quis, por um só dia, ver como vocês vêem.

por curiosidade.