caiu-me este livro em mãos na época de efervescência Nietzscheniana do ano passado. Havia textos sobre e desse prussiano por todos os cantos, mas este chumaço encadernado só constava na estante de inveterado leitor colega nosso. Emprestou-me em meados do meio do ano, li, cansei, reanimei, li no barraco, em casa, na escola; parei na terceira parte, libertei-me em outras leituras; neste presente ano, retomei, terminei a derradeira azeitona... ontem. E cá escrevo, num flerte de crítica, mais para me convencer que tal leitura de algo me serviu, do que para me posicionar sobre "um autor que é impossível de ler e permanecer indiferente".
assim falou Zaratustra - um livro para todos e para ninguém
Ao que me pareceu, é um livro sem pé nem cabeça. É um bolo com recheio interessante, inovador, mas de cobertura absurda, quase impenetrável. Para ilustrar o que digo, dois trechos:
"Homens superiores, o pior que tendes é não haver aprendido a dançar como é preciso dançar; a dançar por cima de vossas cabeças! Que importa não terdes sido felizes?"
"Eu ria, ria, ao passo que me tremiam os pés e também o coração."Mas este-disse comigo-é o país dos vasos cloridos" Com a face e os membros pintados de mil maneiras, assim me assombrastes, homens atuais."
Mas no meio de infindáveis alegorias, é possível extrair alguma essência do discurso de zaratustra. Sim, é puro Nietzsche, mas para o leitor que não está a par das filosofias, arrisco aqui resumir o pensamento expresso em Assim falou.
Zaratustra busca o além-homem, o homem superior. Despreza os valores dos 'homens-pequenos', ou seja, paz, mansidão, maniqueísmo, prudência, bondade, mutualismo, cristianismo. Diz que esses valores provém somente da fraqueza e da feminilidade.
Propõe a alegria profunda, e igualmente, a dor profunda; a dança, as pernas fortes, as canções, a solidão. Elogia a guerra, os combates periódicos.
Fala muito dos criadores, dos criadores de novos valores. É uma pena que eu não tenha compreendido muito bem este ponto, então calo-me.
este homem, o zaratustra, é um sábio que deixou sua cidade natal aos trinta anos e isolou-se nas montanhas. Depois de dez anos adquirindo sabedoria na companhia de sua águia e sua cobra, desce ao mundo para ensinar aos homens. Após enfrentar a populaça, viaja pelo mundo deixando discípulos e amigos. Volta à sua caverna. Zaratustra ouve o grito angustioso do homem superior, anda pelo bosque e chama a sua caverna uns estranhos personagens. Chega o grande Meio-dia.
A semelhança entre o sábio e... jesus, é para reforçar a crítica à sociedade cristã, que julga serem absolutos e imutáveis seus valores.
Bom, e quanto a minha opinião em relação a Nietzsche, faço como a esmagadora (e repressora) maioria, e digo, Não concordo de todo.
E então, por que li até o final? Ora, creio que essa linha de pensamento ajuda a balancear quando estou demasiado pequeno humano.
"assim falou Zaratustra, e afastou-se da caverna ardente e vigoroso, como o sol matinal que surge dos sombrios montes."
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4 comentários:
Já leu O Lobo da Estepe, de Hermann Hesse? É um correlato da filosofia nietzscheana. Por sinal, é um livro que vale a pena.
não.
óquei
Okay então.
tá na minha lista de espera!
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