domingo, 7 de janeiro de 2007

for- migas

no apartamento em que habito, há uma varanda. assemelha se a um ligeiro nariz no prédio, voltado pra face sul. Não bate muito sol, só recebe a luz matutina.
e, na varanda, há plantas. Não lá muito viçosas, mas que tento a muito custo cultivar, para compensar a malsinação de ser um menino do cimento. Marias sem vergonha, um abacate miúdo, uma pitangueira miúda, uma uveira(?) miúda, uma mexeriqueira(?) miúda, uma ameixeira amarela miúda, duas respeitáveis amoreiras miúdas, uma flor de maio, uma cebola ornamental, uma pimenteira, uns lírios, um hortelã meninote, uma sálvia, umas orquídeas, dois cactos, plantas rasteiras recém chegadas, feijõejinhos e algumas violetas. Todas espremidas em vasinhos, xaxins e dois tanques.
nas plantas há bichinhos. Há os tipos não vegetarianos; como aranhas, mosquitinhos, respeitáveis lesmas e um grilo solitário; e os que se alimentam de seiva. Esses últimos, são muito estranhos: há uns brancos, parecem fungo, pulgões, outros com uma conchinha marrom -verde e flexível quando jovens- que aparecem em enorme número na planta grande e sem nome, e uma espécie absurda, com uma carapaça sedimentar esbranquiçada.
Ao longo dos meses, conclui que a maioria destes parasitas é regida por uma civilização muito organizada de hexápodes, as formigas. as cá de casa são vermelhas e miúdinhas, parecem uns irlandeses. Estes artrópodes estão por toda a varanda, dominam três quartos dos vasos, é o diabo. moram nas paredes e dentro da terra.
Assemelham-se a seres humanos, 'devastam' o meio ambiente em que se encontram. as plantinhas que sofrem a ação delas estão mais fracas e cheias de pelotas, os parasitas. É como se fossem pecuaristas, nas palavras do memorável professor Pardal.
Como sou também ser humano, não admito outra forma de vida inteligente disputando o meu território. Tratei logo de aplicar veneno, mas não funcionou. em uma semana já estavam novamente à ativa. Antes de uma nova investida, paro e penso, se é necessário mesmo, se não posso conviver pacificamente com elas, tentar conversar, mandá-las a outro planeta.

acho que não.

4 comentários:

Anônimo disse...

parreira, kyo, parreira!
mas faz assim: despeje toda sua psicose nelas. torture, esmague, queime, moleste, abuse, faça tudo que puder com as formigas e mostre a elas que todas que souberem que você existe vão morrer. e portanto nenhumas delas sai de lá viva!

Joaquim disse...

eu coloquei uveira por ter a certeza de que não é uma parreira, embora eu tenha a lembrança de ter plantado um caroço de uva lá.

# disse...

Videira, Kyo. Videira.

Anônimo disse...

eis aqui o nome da veneranda planta sem nome:

Schefflera

meu vô bateu o olho e identificou.